quarta-feira, 28 de outubro de 2015

FHC diz que Brasil está 'sem rumo' e pede a Dilma 'renúncia com grandeza'


Ela [Dilma] é pessoalmente honrada. Politicamente, ela também é responsável [...]. Quanto ao Lula, eu tenho que esperar para ver. [...] Eu não posso dizer [que ele não tenha se beneficiado de corrupção."
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira (26) que o Brasil "vai mal porque está sem rumo" e sugeriu que a presidente Dilma Rousseff renuncie ao cargo "com grandeza".
FHC concedeu entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Durante o programa, o ex-presidente falou sobre o primeiro volume do livro "Diários da Presidência", que será lançado por ele na próxima quinta-feira (29).
"Tinha que ter uma renúncia com grandeza. A presidente Dilma não pode desconhecer o que nós conhecemos, que a economia está em uma situação desesperadora, que há uma crise política. Ela tinha que dizer: 'eu saio, eu renuncio, mas eu quero que o Congresso aprove isso, isso e isso'", sugeriu."A situação econômica [do país] é desesperadora. Ela [Dilma] não tem que ir lá nos Estados Unidos e dizer que o Brasil está mal porque a democracia é adolescente. Vai mal porque está sem rumo", disse Fernando Henrique, ao se referir à entrevista dada por Dilma à emissora norte-americana CNN e veiculada neste domingo (25).
Na entrevista, FHC foi questionado sobre o posicionamento do PSDB, partido do qual é presidente de honra, a respeito de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma.
Para o tucano, o partido está sendo "bastante prudente" quando trata do assunto e, caso um processo de impedimento seja aberto no Congresso Nacional, o PSDB "vai votar pelo impeachment".
Ele também criticou declarações recentes de Dilma de que a oposição tenta dar um "golpe" em seu governo ao defender sua saída pelo impeachment. "Ninguém está cogitando dar golpe. Impeachment não é golpe. Precisa ter condição, mas não é golpe", afirmou o ex-presidente.
FHC também falou sobre o episódio da suposta compra de votos para aprovação da reeleição, durante o primeiro mandato de seu governo. Apesar de dizer que não acredita que tenha havido compra de votos, o ex-presidente disse não duvidar que uma suposta compra de votos possa ter ocorrido.
"Se houve compra [de votos], não foi minha, não foi do PSDB. Se houve compra, foi coisa deles [dos parlamentares]. Não duvido [que possa ter havido]. Mas condenamos", afirmou.
'Pessoa honrada'
Durante a entrevista, Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar que a presidente Dilma é "uma pessoa honrada". Ele já havia dado declaração sobre o assunto em agosto. A fala de FHC foi sobre o suposto envolvimento de Dilma com o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

"Ela é pessoalmente honrada. Politicamente, ela também é responsável [pelos desvios na estatal", disse FHC. "Quanto ao Lula, eu tenho que esperar para ver. [...] Eu não posso dizer [que ele não tenha se beneficiado da corrupção]."

sábado, 10 de outubro de 2015

Situação Econômica do Brasil


Engenheiro avalia situação econômica do Brasil e afirma que crise não vai ‘derrubar’ o País

Profissional acredita que a crise é uma problemática passageira
A recessão econômica brasileira tem atingido em graus diferentes os mais variados segmentos no País. O setor da construção civil é um dos menos se sentem menos penalizados com a crise econômica, que já se arrasta por vários meses. Profissionais do setor de edificação, até admitem uma certa ‘baixa’ no segmento, mas ao mesmo tempo acreditam que é uma problemática passageira. 
Um desses otimistas é o engenheiro civil e angolano, João Carlos, que há cerca de quatro décadas decidiu não só vir para o Brasil, não só para morar mas também para construir. “O Brasil é muito grande, tem muitas possibilidades, e não é uma crise como essa que vai derrubar o País”, avaliou João Carlos, empresário da JCP Construções e Incorporações, responsável pela construção do Solar Tambaú, empreendimento grandioso, arrojado e completamente novo na cidade no que se refere à tecnologia e requinte.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Atividade industrial de SP deverá cair até 6% em 2015

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista deverá encerrar 2015 em queda de 5,8%, na leitura com ajuste sazonal. Apenas na passagem de julho para agosto a retração foi de 2,5%, de acordo com o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Em 2014, o indicador amargou perdas de 5,9%; se as estimativas se confirmarem, esta será a primeira vez em que o INA terá dois anos consecutivos de baixa desde o início de sua série histórica, em 2002.
Na avaliação do diretor do Depecon, Paulo Francini, o arrefecimento da atividade industrial nos últimos dois anos reflete a crise econômica e de renda por que passa o país neste período. "Esse é o dado dessa crise que está à vista: a sociedade está empobrecendo velozmente. [O ano de] 2015 já está perdido e vai ser o pior da indústria de toda a série que nós fazemos. É um desastre em termos de dimensão da queda e da perda de emprego", afirma. 
No mesmo período de comparação, entre julho e agosto, a indústria paulista registrou um saldo negativo de 26 mil empregos. Na previsão do Depecon, até o final deste ano pelo menos 200 mil vagas serão fechadas. Para o ano que vem, entretanto, Francini afirma que ainda não é possível prever o comportamento do setor, em função da "forte desaceleração da indústria".
Em 12 meses, atividade industrial já caiu 4,7%
Ainda de acordo com o Depecon, no acumulado de 12 meses o desempenho da indústria de São Paulo caiu 4,7%, na comparação com o período anterior. Já de janeiro a agosto, queda é de 4,6%. E se comparado a agosto de 2014, o indicador deste ano apresenta queda de 9,5%.
Francini reitera que os próximos resultados deverão ser ainda piores e alerta para um "comportamento negativo disseminado entre os segmentos da indústria". Isso porque, dos 20 setores avaliados pela pesquisa, apenas três tiveram aumento de sua atividade em agosto. "É preocupante porque, na verdade, a crise vai se espraiando. E quando é crise mesmo, é espalhado", completa.
A queda mais expressiva esteve na indústria de móveis, que em agosto teve variação negativa de 14,9% na comparação com julho. A variável que mais contribuiu para essa contração foi o "Total de Vendas Reais", que despencou 26,6%. O setor de veículos automotores também registrou forte queda, com retração de 3,6%.
Percepção sobre a economia também cai em setembro
A percepção do setor produtivo em relação à economia de modo geral piorou 4,6 pontos em setembro, na comparação com agosto. O número caiu para 43,8 pontos, ante os 48,4 anteriores, na leitura com ajuste sazonal. Leituras em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Quando está abaixo desse número, o sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês.

Ministro: crise está sendo inflada por meios de comunicação

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, disse hoje (6) que a crise econômica enfrentada pelo Brasil "está sendo inflada por alguns meios de comunicação". Ao participar do lançamento do Plano Safra no estado do Rio de Janeiro, no plenário da Assembleia Legislativa, Patrus Ananias afirmou que alguns veículos de imprensa "passam a ideia de que o Brasil está acabando".
"O Brasil é muito maior do que essa crise que está sendo inflada por alguns meios de comunicação", afirmou o ministro, dizendo que há uma oposição ao país, e não ao governo.Na opinião de Patrus Ananias, o país passa por um momento de ajustes e acertos, que "é perfeitamente razoável" para o aperfeiçoamento de programas e obras sociais, depois de "anos de investimentos e extraordinárias conquistas".
"Transformar isso no fim da história do povo brasileiro, não podemos aceitar", disse o ministro. Ele acrescentou que é preciso reconhecer o que já foi conquistado, como a retirada do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, e ter confiança para que as pessoas consigam caminhar.
O ano de 2015 não deve apresentar crescimento econômico segundo previsões do governo e de órgãos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou hoje uma projeção de que a retração no país deve ficar em 3%, e não em  1,5%, como se previu anteriormente. O FMI destaca que hojve queda de confiança entre consumidores e empresários.
O Banco Central prevê queda de 2,7% neste ano na economia brasileira, e o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do quarto bimestre, divulgado em 22 de setembro pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, estima a retração em 2,44%.



Banco Mundial: “Recessão no Brasil não se justifica. País sairá logo da crise”

Augusto de la Torre, chileno, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, lamenta o protagonismo do Brasil e sua recessão durante o encontro do FMI, que acontece em Lima, no Peru, esta semana. Na opinião de De la Torre, a recessão brasileira “é um mistério”. “Os índices macroeconômicos não justificam uma recessão tão profunda”. Para o especialista chileno, o trabalho que tem sido feito pelo atual ministro da Fazenda brasileiro, Joaquim Levy, é admirável; a moeda “tem se sustentado bem”, aguentando o embate e se desvalorizando corretamente, mas a demanda interna “não consegue se relançar”. E a causa disso deve ser atribuída às “incertezas políticas”. Ou seja: na crise política que evidencia a fragilidade institucional de Dilma Rousseff, que se encontra de mãos atadas diante de um Congresso hostil.
Ainda a respeito do Brasil, De la Torre comentou as aparentes diferenças existentes entre alguns países latino-americanos, como a Colômbia, o Chile e o Peru, membros da Aliança do Pacífico, que atravessam a crise em melhores condições, e o Brasil e a Argentina, que afundam. Não há o risco de se abrir uma fenda no continente? “Os países, quando a economia vai bem, são parecidos uns com os outros; mas isso não acontece da mesma forma quando ela vai mal. Nesse caso, as diferenças estruturais vem à tona. Por isso, é possível que alguns países percam o compasso, especialmente aqueles que não realizaram as reformas necessárias”, explica.O economista-chefe, porém, se diz convencido de que o Brasil sairá de sua crise econômica dentro de alguns meses. Por quê? “Porque a economia está encontrando caminhos para se ajustar. Se houver uma resposta política positiva, ela se reajustará bem; caso contrário, não; mas, de toda forma, acabará por se reajustar. E, uma vez digerida a atual crise, o que se mantém é a capacidade de reação das economias nacionais. Quando olhamos para o Brasil, que é uma economia gigantesca, sabemos que possui uma grande capacidade de reação”.
E acrescenta: “Há ditaduras que fazem reformas sem ouvir muito as pessoas. Nas democracias pulsantes, como as latino-americanas, isso é impossível. Assim, as democracias latino-americanas precisam encontrar o equilíbrio entre produtividade e desigualdade. O que não é nada fácil”.

Salário mínimo flexível

De la Torre destaca, ainda, o papel que a política de valorização do salário mínimo, implementada no Governo Lula, teve enquanto alavanca econômica. Mas, defende que se trata de um instrumento importante apenas para os tempos de vacas gordas. “Nos tempos de vacas magras, o salário mínimo não é inimigo daquele que está empregado, é claro, que está satisfeito, tem voz ativa e está organizado. Quem não é ouvido, porém, é o desempregado, que não está organizado. Cria-se, assim, uma espécie de desigualdade, pois aquele que se encontra na pior situação, o desempregado, não tem voz ativa”.
O economista tem algumas propostas para tornar o salário mínimo mais flexível: que seja diferente para cada empresa, já que as pequenas empresas têm mais dificuldade para contratar do que as grandes; ou, que ele seja diferente conforme a idade dos trabalhadores, de forma que os jovens recebam menos, ou que esses jovens trabalhem mais horas pela mesma remuneração. E conclui: “O salário mínimo que nos convém em tempos de vacas gordas não é o mesmo que nos convém em tempos de crise”.
Falar em diminuir o salário mínimo, porém, é um tabu social em qualquer lugar do mundo. La Torre, ao contrário, entende que o salário mínimo se torna um inimigo do emprego quando a economia patina e o desemprego cresce, como ocorre hoje em muitos países da América Latina. Ele defende que essa conquista dos trabalhadores (“da qual Marx já falava”, lembra) não deve ser vista apenas como um tema delicado, mas sim à luz dos ciclos econômicos. “É um tema delicado, relacionado a questões filosóficas e ideológicas.
No mundo moderno, o salário mínimo deve garantir condições de vida razoavelmente humanas. “Mas devemos evitar as paixões, para poder focar naquilo que realmente importa, que é a qualidade do emprego”, acrescenta. O economista explica, também, que o trabalhador qualificado, detentor de habilidades e de formação, não se preocupa com o salário mínimo, pois ganha bem acima disso. “Mas quem se preocupa, sim, é a empresa, que é obrigada a contratar tanto os mais qualificados quanto os não-qualificados. E, se o salário mínimo é muito elevado, ela simplesmente deixa de contratar”. Ele continua: “Nesse caso, pode acontecer algo inesperado. Pretendíamos proteger o trabalhador, para que ele tivesse uma vida decente, mas perdemos o controle por questões políticas e, em tempos de retração econômica, esse salário mínimo se torna um inimigo do emprego”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

'SITUAÇÃO DO PT É GRAVE. NEGAR É EQUÍVOCO'

Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva avalia que o PT passa por um momento delicado; "Não sou hipócrita. A situação do PT é grave. Negar isso seria um equívoco"; ele admite também que "foi um erro" seu partido peitar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa pela presidência da Câmara; apesar de dizer que o governo passa por uma crise "inegável", o ministro diz que o PT e a presidente Dilma estão absolutamente tranquilos em relação aos pedidos de impeachment; "O impeachment não é uma questão política, é jurídica. Para que tenha um impeachment, você tem de ter um fundamento jurídico. O governo não se preocupa com essa pauta"

Edinho comenta a relação com o PMDB, e diz que 'todo governo tem que ceder aos anseios de seus aliados, se não não governa', mas pondera que antes, qualquer reforma administrativa deve ser feita com o povo como prioridade. Ele admite que "foi um erro" o PT peitar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara, com o deputado Arlindo Chinaglia.
Apesar de dizer que o governo passa por uma crise "inegável", o ministro da Comunicação diz que o PT e a presidente Dilma estão absolutamente tranquilos em relação aos pedidos de impeachment que tramitam na Câmara.
"O impeachment não é uma questão política, é jurídica. Para que tenha um impeachment, você tem de ter um fundamento jurídico. O governo não se preocupa com essa pauta. A nossa preocupação é ter um desafio imenso pela frente, que é a retomada do crescimento econômico, da geração de empregos, da distribuição de renda, geração de oportunidades".
Tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, Edinho Silva falou também sobre a investigação aberta contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a doação de R$ 7,5 milhões supostamente desviados da Petrobras.
"O que tem contra mim é uma delação premiada de alguém que, portanto, negociou redução de pena. Eu li integralmente a delação do empresário (Ricardo Pessoa). Ele diz que eu o pressionei elegantemente e no parágrafo abaixo diz que nunca se sentiu pressionado. Na mesma delação. Respeito o pedido de abertura de inquérito do procurador. Ele deve ter visto na delação coisas que eu leigo, não vi. Prefiro, inclusive, que haja inquérito porque não quero dúvidas sobre o meu trabalho à frente da coordenação financeira da campanha da presidenta Dilma. Assumi a coordenação financeira já com o processo de investigação em andamento. Fui chamado para ocupar essa função em junho. Relutei. Todos sabem e humildemente digo, eu seria certamente um dos deputados mais votados do PT de São Paulo".
Edinho avalia ainda que a reforma administrativa feita pela presidente Dilma Rousseff chega num momento adequado e de forma acertada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

BRASIL TERÁ DE ELEVAR IMPOSTO PARA SUPERAR CRISE

Em entrevista ao STF, ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso reconhece que, com o ‘déficit público brutal’, a saída da crise deve passar pelo aumento de tributos: ‘Imposto ninguém quer, ninguém gosta. Todo mundo prefere não pagar imposto. Mas vai ser necessário. A dificuldade agora é que as pessoas não estão acreditando que mesmo dando imposto vai dar certo’, diz; sobre o governo, ele avalia que a reforma ministerial poderá dar “sobrevida” a presidente Dilma Rousseff e que “impopularidade” não é motivo para impeachment; mas ressalta que o PT “abusou do poder” e Lula virou “político tradicional” - embora defenda a diplomacia comercial presidencial feita no governo do sucessor: “É normal que os presidentes defendam os interesses das empresas do seu país”
247 – Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a reforma ministerial poderá dar “sobrevida” a presidente Dilma Rousseff. Em entrevista a Kennedy Alencar, do SBT, ele volta a dizer que “impopularidade” não é motivo para impeachment.
“A força do impeachment, se houver, vem da rua. Não vem de dentro do Congresso. Sempre foi assim. (…) A impopularidade não é suficiente [para impeachment]. Aí, você acaba com a regra da eleição”.
Ao falar de economia, diz que para superar a atual crise econômica, será necessário elevar impostos porque o “déficit público é brutal no Brasil”. “Todo mundo prefere não pagar imposto, mas vai ser necessário” para vencer a crise. E afirma não saber se uma eventual alta de tributos virá por meio de uma nova CPMF, diz. 
Para FHC, o PT “abusou do poder” e Lula virou “político tradicional”. No entanto, defende a diplomacia comercial presidencial feita no governo do sucessor: “É normal que os presidentes defendam os interesses das empresas do seu país”.
FHC considera preocupante a atmosfera de intolerância no debate público no Brasil. Mas atribui a origem a uma ação do PT: “Quem semeou intolerância foi o PT. Está colhendo agora a tempestade porque semeou vento. Mas, de qualquer maneira, eu não embarco nessa ventania”.
Ele crê ainda que as recentes acusações de corrupção fragilizam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Uma vez aceita a denúncia, fica muito difícil se manter na presidência de qualquer instituição. O mesmo vale pra presidente Dilma. Ela tem todo o poder presidencial porque, por enquanto, não tem nada que diga… não há processo de impeachment”, declara.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dilma culpa crise externa, mas EUA e Europa já crescem mais que o Brasil


Novamente utilizada pela presidente Dilma Rousseff, a tese segundo a qual a prostração econômica brasileira decorre da crise internacional perdeu no ano passado o que restava de sua credibilidade.
Até 2013, o argumento já era frágil porque os demais países emergentes, também afetados pela crise no mundo desenvolvido, apresentavam desempenho superior ao do Brasil no governo Dilma.
Agora, até os Estados Unidos e a Europa, epicentros dos tremores da economia global nos últimos anos, já crescem mais que o Brasil.
A recuperação norte-americana é a mais visível. O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA teve expansão de 2,4% no ano passado, e a taxa deste ano é projetada em 3,6% pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Na zona do euro, os números são mais modestos, mas ainda assim mostram crescimento no ano passado, de 0,9%, e neste ano, calculado em 1,2%.
No caso brasileiro, o resultado de 2014 ainda não é conhecido, mas governo e analistas esperam uma taxa próxima de zero, ou até um pouco abaixo. Para 2015, a projeção central do mercado é uma queda de 0,66%.

O Brasil perdeu mais 18 posições no ranking das economias mais competitivas do mundo

O Brasil perdeu mais 18 posições no ranking das economias mais competitivas do mundo, caindo para a 75ª colocação, segundo o Relatório Global de Competitividade, divulgado nesta terça-feira (29) pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em parceria com a Fundação Dom Cabral.
Os 10 países mais competitivos e o Brasil
Suíca
Cingapura
Estados Unidos
Alemanha
Holanda
Japão
Hong Kong
Finlândia
Suécia
10ªReino Unido
75ºBrasil
Trata-se da maior queda já registrada pelo país e pior posição da série histórica da pesquisa, que mantém a mesma metodologia há 10 anos. Em 2014, o Brasil tinha caído da 56ª posição para a 57ª posição.
A pior colocação até então tinha sido o 72º lugar, registrado em 2007. O melhor resultado foi alcançado em 2012, quando o Brasil ficou no 48º lugar.
Após 3 anos consecutivos de perda de posições, o país está, agora, abaixo de alguns de seus principais concorrentes, como México, Índia, África do Sul e Rússia, e de economias menores como Uruguai, Peru, Vietnã e Hungria.
O relatório destaca que a economia brasileira sofre com a deterioração de fatores básicos para a competitividade, como a confiança nas instituições e déficit das contas públicas, e fatores de sofisticação dos negócios, como a capacidade de inovar e educação.
“A crise econômica e política que se deteriora desde 2014, associada a fatores estruturais e sistêmicos como sistema regulatório e tributário inadequados, infraestrutura deficiente, educação de baixa qualidade e baixa produtividade, resultam em uma economia frágil e incapaz de promover avanços na competitividade interna e internacional”, afirma Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, responsável pela coleta e análise dos dados do Brasil.
Suíça e Cingapura lideram ranking

O levantamento avalia 140 países. O estudo define competitividade como o conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país. O ranking é calculado a partir de dados estatísticos e de pesquisa de opinião realizada com executivos dos 140 países participantes.  Ao todo, 118 variáveis são analisadas e agrupadas em 12 categorias.

A edição 2015 do ranking não trouxe alterações nas 3 primeiras posições. A Suíça está em 1º lugar no ranking de competitividade pelo sétimo ano consecutivo. Líderes em inovação, os suíços têm taxa de desemprego estável, o que está relacionado ao excelente sistema de educação e à eficiência no mercado de trabalho.
Cingapura e Estados Unidos seguem na 2ª e 3ª posições, respectivamente. A Alemanha subiu da 5ª para a 4ª posição, e a Holanda saltou da 8 para a 5ª colocação. Veja tabela ao lado.
O Chile é o país da América Latina mais bem posicionado, em 35º lugar no ranking geral, seguido do Panamá (50º lugar).
As notas e os rankings são calculados a partir de dados estatísticos e de pesquisa de opinião realizada com executivos dos 140 países participantes. Cento e dezoito variáveis são analisadas e agrupadas em 12 categorias. Para coletar os dados de maneira eficiente, o Fórum Econômico Mundial conta com o apoio de uma rede de mais de 160 instituições parceiras. No Brasil, a Fundação Dom Cabral (FDC) é responsável pela pesquisa de opinião realizada junto à comunidade empresarial. Em 2015, ouviu 197 executivos entre março e maio.
Os menos competitivos

Guiné, Chade, Mauritânia, Serra Leoa, Burundi e Malaui ocupam os últimos lugares do ranking.

Segundo o estudo, países com menores índices de competitividade se caracterizam por instituições fracas, infraestrutura deficiente e educação não inclusiva e de baixa qualidade, além de péssimo sistema de saúde.
Problemas do Brasil

No relatório de 2015, o Brasil teve piora em 9 das 12 categorias analisadas. As quedas mais acentuadas foram nos quesitos instituições, ambiente econômico, saúde e educação primária) e nos indicadores de sofisticação e inovação do ambiente empresarial. Já os pilares infraestrutura, prontidão tecnológica e tamanho do mercado tiveram leves avanços, subindo duas posições cada.

O estudo destaca a deterioração de indicadores como confiança pública em políticos, pagamentos irregulares e subornos, comportamento ético das empresas, pouca eficácia dos conselhos corporativos, citando os recentes escândalos de corrupção envolvendo poder público, partidos políticos e iniciativa privada.
Como os fatores mais problemáticos para se fazer negócios no país, os executivos apontaram, pela ordem, nível de tributação, leis trabalhistas restritivas, corrupção, inadequação da infraestrutura e burocracia.
Oportunidades 

Segundo Carlos Arruda, embora o cenário geral seja marcado por grande pessimismo, a pesquisa aponta oportunidades para o país diante do potencial do mercado doméstico.

“Estratégias focadas na base da pirâmide, por exemplo, que desenvolvem ofertas para a camada mais pobre da população, são promissoras, e a forte desvalorização cambial abre espaço para um movimento de substituição de importações, em que empreendedores locais podem explorar opções mais baratas de produção local de bens e serviços”, avalia.
“Para sair desta situação de piora contínua, não há como fugir das soluções de curto prazo que urgem no país, como reformas fiscais e controle de orçamento do governo. O risco inflacionário, combinado à elevação do déficit público e à desvalorização cambial, é uma receita para um círculo vicioso. Com baixa abertura comercial, o desafio para o Brasil é investir mais em setores exportadores de produtos com maior valor agregado, em troca das commodities, e em acordos bilaterais no lugar dos multilaterais, ou seja, soluções mais eficazes em momentos difíceis como os de agora”, conclui.

Impeachment da Presidente Dilma traria risco a reputação do Brasil de erguer instituições fortes


Um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff "poderia pôr em risco a reputação do Brasil de construir instituições firmes", diz o jornal britânico Financial Times, principal diário de finanças do país, nesta quarta-feira.



Em reportagem de página inteira intitulada "Na linha de fogo", o jornal financeiro cita a crise econômica e política do país e diz que os pedidos de impeachment da presidente são um "teste crítico" para uma "das maiores e também mais jovens democracias do mundo".
"A grande questão para os políticos brasileiros é se seria prejudicial remover um presidente eleito apenas por ser impopular, ou mesmo incompetente, sem ter comprovadamente cometido um crime", diz o texto.
"O que era antes uma economia vibrante está em recessão, a elite política está atolada em um grande escândalo (da Petrobras) e, agora, oponentes querem o impeachment da presidente Dilma Rousseff em uma ação que ameaça levar o país a uma paralisia", diz o texto.
"Com grande parte do Congresso envolvido no escândalo da Petrobras há também a questão se qualquer substituto teria a legitimidade de dar o remédio forte - como aumento de impostos para balancear o Orçamento - que a economia em dificuldade precisa", diz a reportagem.
Para retirar Dilma, oponentes teriam de provar que a presidente é culpada por maquiar as finanças públicas, em medidas conhecidas como "pedaladas fiscais", ou que ela esteve diretamente envolvida em corrupção. A presidente nega as acusações.
O jornal expõe a situação complicada da economia do país - enfrentando uma recessão que deverá se prolongar por 2016 e a forte queda do real ante o dólar - e as dificuldades do governo em aprovar medidas no Congresso para balancear as finanças públicas.
Diz que a política econômica de Dilma é "inconsistente", que poderia levar à saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
FT diz que "no lado positivo", Dilma poderá ser obrigada a abraçar "reformas mais agressivas para melhorar as finanças do país e, assim, aliviar um pouco a pressão do mercado por sua saída".
No início deste mês, o jornal disse em editorial que o sistema político "podre" do Brasil "não funciona" e que o governo não conseguia responder à crise econômica. Citou "bagunça" na economia e finanças públicas em "desordem" para dizer que a situação no país era "cada vez mais instável".
Em editorial publicado em julho, o Financial Times comparou a situação do Brasil a um "filme de terror sem fim". E, no mês passado, reportagem disse que o país passou de "um dos motores da economia global" para o "homem doente" dos mercados emergentes.

sábado, 26 de setembro de 2015

Turismo pode ser a chave para superar a crise no Brasil, dizem autoridades do setor

Mesmo com o dólar alto, os líderes da indústria turística no Brasil se mostraram otimistas durante a 43ª ABAV – Expo Internacional de Turismo, a maior feira de turismo do continente, inaugurada na quinta e com término neste sábado em São Paulo.

Inclusive, o presidente da associação, Antônio Azevedo, diz que o setor tem tudo para ser a chave para superar a crise econômica que vive o país. Mas é preciso investimento.
Na cerimônia de abertura, o diretor da Organização Mundial do Turismo (OMT), Márcio Fávilla, fez coro com o presidente da Abav lembrando que “turismo é emprego, é renda": 
– Não é uma atividade trivial e, sim, um instrumento valioso para o desenvolvimento.
Em seu discurso, o executivo atualizou números da movimentação turística internacional, que chegou a 1,3 trilhão de viajantes no ano passado. E o turismo como um todo, incluindo a atividade interna dos países, movimentou mais de 6 trilhões de viajantes. 
– Pelo que representa em termos econômicos e sociais, os governos precisam reconhecer o valor do turismo – destacou Fávilla.
Azevedo alerta que isso não vem ocorrendo no Brasil: o governo brasileiro não tem investido o que deveria em divulgação dos atrativos turísticos do país no Exterior para captar turistas, especialmente em um cenário de desvalorização da nossa moeda. O presidente da Abav ressaltou que, indo na contramão, o Ministério do Turismo teve sua verba cortada em 70%.
Em sua fala, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, disse compactuar com essa visão. Alves afirmou que o Ministério do Turismo não deve ser extinto na reforma ministerial, mas sim fortalecido. E lembrou que o turismo é a atividade que mais rapidamente gera emprego e renda. Ao comentar o potencial da Olimpíada 2016, falou das tratativas que vem fazendo para modificar o procedimento padrão de vistos para norte-americanos entrarem no país. 
– Queremos a liberação de vistos por um período mínimo de seis meses – salientou.

Crise Econômica x Crise Política


O clima no Congresso desandou e o buraco na economia só aumenta. Como é que a gente chegou nesse ponto? E o que vai ser daqui para frente?


A crise econômica tem se agravado e o dólar é apenas o reflexo dessa incerteza. Economistas estão revendo suas projeções para um PIB mais negativo. Empresas de diversos setores também estão piorando os seus cenários. O setor de construção civil em São Paulo achava que haveria uma queda de 5,5% esse ano. Mas nesta quarta-feira (5) refizeram a previsão para uma queda de 7%.


O governo está tendo seguidas surpresas negativas na arrecadação. Eles chamam isso de frustração de receita – que é esperar arrecadar um valor e, na verdade, receber bem menos. Essa frustração está piorando.

Por isso, até aquele primeiro superávit primário que foi anunciado recentemente pode não ser alcançado.

Nesse ambiente, é uma insensatez aprovação de aumentos salariais seguidos para o funcionalismo. Eles podem até ter razão nas suas reivindicações, mas vão aumentar a despesa – quando o governo precisa cortar, porque não está dando conta de pagar o que já se comprometeu.

A situação chegou a esse ponto porque o governo, nos últimos anos, tomou decisões erradas na economia. Gastou demais, mascarou problemas, jogou para frente várias correções que precisavam ser feitas – como aconteceu com o preço da energia: o governo segurou tanto o reajuste que acabou tendo que dar um aumento maior do que antes.

Isso elevou a inflação, que tirou a renda dos trabalhadores, que diminuiu o consumo. E assim vai. Uma coisa piorando a outra.

A crise política está agravando a crise econômica. Quanto maior for esse esfacelamento da base parlamentar, maior será a incerteza econômica – porque, nesse clima, não tem investimento. E a retomada do crescimento é adiada.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Alemães mostram confiança no Brasil e na recuperação política e econômica do país na abertura do Encontro Econômico


A confiança no Brasil e a disposição de investir em diferentes setores, como infraestrutura, energia, formação profissional e em tecnologias de manufatura foram um dos destaques nos discursos das autoridades alemãs durante a abertura do 33º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, na manhã desta segunda-feira, na Expoville, em Joinville.

O presidente da BDI, entidade equivalente à CNI na AlemanhaUlrich Grillo, explicou que o potencial de investimento em energias renováveis é enorme.  A Alemanha quer deixar de lado a energia nuclear e apostar em fontes sustentáveis. Hoje, 27% da matriz energética tem como fontes energias renováveis e a meta é chegar a 55% daqui a 30 anos.

O vice-ministro de Economia e Energia da Alemanha, Matthias Machnig, citou como exemplo de confiança no Brasil o fato de o Estado de São Paulo contar com 900 empresas de origem alemã, o maior contingente fora do país europeu.

Para ele, o Brasil é um parceiro estratégico e que deverá ter papel de liderança nas próximas décadas.  Segundo ele, a Bosch acaba de inaugurar um centro que vai gerar 500 empregos e a Basf investiu cerca de 500 milhões de euros no País.

Mencionada mais de uma vez, a crise econômica e política que o Brasil atravessa foi classificada como uma situação temporária de debilidade pelas lideranças estrangeiras. Contudo, ao se referir às medidas do governo federal para tentar retomar o crescimento, Grillo enfatizou que anúncios precisam ser seguidos de fatos e ações.

Além de criticar os custos com energia e a burocracia no Brasil, as lideranças internacionais observaram que o País apostou demais em matérias-primas no passado e deixou de lado a indústria. 

— O Brasil tem todas as condições de reencontrar o caminho do crescimento. Comecem, façam as reformas estruturais  e invistam no futuro do país. Aceitem nossa oferta de parcerias, queremos trilhar o caminho junto com vocês — afirmou Machnig. 

Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é defendido por ambas as partes, mas a principal reivindicação dos alemães na abertura do encontro foi concretizar um termo de apoio entre os presentes em favor da assinatura de um acordo de bitributação entre os dois países.

— Onde há acordos de bitributação, os investimentos são mais seguros. Já existe iniciativas em alguns setores, mas precisa ser ampliado — disse o vice-ministro alemão. 

As lideranças nacionais criticaram a crise econômica e política. O presidente daConfederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Braga de Andrade, disse que o Brasil precisa de reformas profundas nas áreas da previdência, trabalhista e administrativa.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, destacou que o País é dotado de instituições sólidas e de liberdade, contudo, criticou o tamanho do Estado brasileiro e classificou a situação da previdência pública como insustentável.  Para ele, a crise atual deve servir para se discutir os problemas e fazer o País se modernizar e avançar. 

A abertura do Encontro Econômico Brasil-Alemanha teve também a presença do ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, Armando Monteiro, que defendeu o papel da indústria para o crescimento.

O anfitrião, prefeito de Joinville Udo Döhler, destacou a importância de pensar o desenvolvimento sustentável das cidades e como Joinville pode se beneficiar da experiência alemã.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte,  lembrou que a indústria representa a maior massa salarial entre todos os setores da economia brasileira. Em Santa Catarina, são 52 mil indústrias, responsáveis pelo emprego de 812 mil trabalhadores. 

Após a abertura, as autoridades assinaram um acordo de cooperação entre o Estado de Santa Catarina e o de Turíngia, que será a sede da próxima edição do evento.


Origem da Crise no Brasil Crise mundial começou há precisamente 5 anos

Crise imobiliária
Tudo começou com a crise imobiliária dos EUA. Essa crise começou por lá porque os bancos estavam oferecendo uma quantidade muito grande de crédito imobiliário, o que acabou incentivando por demais o setor. O problema é que os bancos não faziam um estudo decente sobre as possibilidades financeiras dos clientes, achando que bastaria cobrar juros mais altos para se protegerem da inadimplência e aumentar os lucros. Só que o tiro saiu pela culatra…
Como existia muito crédito na praça, os americanos foram às compras felizes e contentes porque estavam adquirindo a sua casa própria. Só que com isso o preço dos imóveis subiu muito e chegou ao ponto que alguns que originalmente valiam US$80 mil estavam sendo vendidos por US$200 mil.
O que aconteceu? Desgostosos por pagar preços exorbitantes nos imóveis e nos juros da sua hipoteca, os americanos começaram a deixar de pagar os bancos. Mas isso ainda não é o maior problema, o problema é que essa situação não aconteceu apenas em alguns casos isolados, aconteceu em massa.
“Mas os americanos pararam de pagar as suas hipotecas só por causa disso?”

Não. Os bancos não ofereciam crédito apenas para compra de imóveis. O crédito é oferecido para tudo, incentivando o consumo em diversas áreas. O problema é que isso aumenta muito o endividamento e as pessoas acabam por muitas vezes não conseguir pagar suas dívidas.
Com a crise já instaurada mas sendo negada por todos, começou a existir menos crédito na praça e o preço dos imóveis diminuiu por haver menos procura por eles. Nesse momento, muitos americanos viram seus imóveis desvalorizarem muito chegando ao cúmulo de eles deverem um valor absurdamente maior do que o valor que o imóvel realmente valia naquele momento. Ou seja, pessoas que compraram um imóvel por US$200 mil viram seu preço despencar para menos de US$100 mil. Assim, muitas pessoas acharam que não valia a pena continuarem pagando a hipoteca, mesmo que tivessem seus imóveis executados (retomados pelos credores, os bancos) judicialmente.
Como a inadimplência estava crescendo assustadoramente, os bancos começaram a sentir falta de dinheiro novo, dinheiro esse com que já contavam para várias outras operações financeiras. Esses empréstimos que os bancos fizeram são considerados por muitos um tipo dos chamados “ativos podres”.
O que é um ativo? E um passivo?
Existem inúmeras definições para esses termos, mas falando simplesmente, um ativo é alguma coisa que dá dinheiro para uma determinada pessoa enquanto o passivo o tira.
Por exemplo, se você tem uma casa e a aluga por um preço maior do que o que você gasta com impostos e manutenção, essa casa é um ativo. Quando você tem uma casa e não a aluga ou a aluga por um preço mais baixo que o que você gasta com impostos e manutenção, você tem um passivo.
Por isso que os bons economistas não consideram (na maioria das situações) a casa própria um ativo, tal como muitos gerentes de banco dizem. Fique esperto!
O monstro chamado recessão
Ouvimos muitas pessoas falando em recessão. Você sabe o que é isso?
A recessão acontece quando há uma grande diminuição no crescimento econômico de uma determinada região ou país. Os resultados são devastadores e incluem a diminuição do salário dos empregados, redução da produção e da oferta de serviços, desemprego etc.
“E agora? Estamos em recessão?”
O governo diz que não, mas alguns economistas afirmam que muitos países já estão em recessão. Tecnicamente falando, a recessão acontece quando o PIB de um país diminui por dois meses consecutivos e o Brasil ainda não se encaixa nesse quadro.
@Atualização em 05/02/2009
A leitora Katia Campos deixou um comentário nos fazendo a pergunta abaixo e achei pertinente completar o artigo com mais essa informação.

E como a crise afeta o Brasil?
A economia mundial está vivendo um momento único na história. Estamos vivendo uma crise causada por outras crises. É é nisso que os governantes e grandes economistas estão trabalhando: uma forma de proteger outros países quando uma crise acontece em algum ponto isolado.
Mas como essa fórmula mágica ainda não apareceu, enfrentamos a crise também aqui no Brasil. Vários são os fatores que colaboram para isso. Veja alguns abaixo:
  1. Ativos podres
    Várias empresas brasileiras possuiam ativos estrangeiros que perderam muito do seu valor de mercado. Assim, estão mais cautelosos sobre os seus investimentos externos.
  2. Crise de crédito
    Como essas empresas não estão fazendo bons investimentos externos, buscam fazer melhores investimentos aqui no Brasil. Isso significa que elas estão aumentando os juros do crédito para assegurar bons rendimentos nos seus ativos e compensar a falta de rendimento e o prejuízo dos ativos externos.
  3. Recessão
    Com os juros do crédito mais altos, os brasileiros vão diminuir o consumo de bens duráveis e muitas vezes, até mesmo de bens não duráveis. Isso pode vir a causar uma recessão em um futuro próximo.
  4. Crise nas montadoras
    Como até meados de 2008, as montadoras estavam tendo um volume recorde de vendas, sua produção aumentava cada dia mais até que chegou a crise. Com o crédito a juros mais altos, a quantidade de veículos sendo em oferta diminuiu consideravelmente.