quarta-feira, 28 de outubro de 2015

FHC diz que Brasil está 'sem rumo' e pede a Dilma 'renúncia com grandeza'


Ela [Dilma] é pessoalmente honrada. Politicamente, ela também é responsável [...]. Quanto ao Lula, eu tenho que esperar para ver. [...] Eu não posso dizer [que ele não tenha se beneficiado de corrupção."
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira (26) que o Brasil "vai mal porque está sem rumo" e sugeriu que a presidente Dilma Rousseff renuncie ao cargo "com grandeza".
FHC concedeu entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Durante o programa, o ex-presidente falou sobre o primeiro volume do livro "Diários da Presidência", que será lançado por ele na próxima quinta-feira (29).
"Tinha que ter uma renúncia com grandeza. A presidente Dilma não pode desconhecer o que nós conhecemos, que a economia está em uma situação desesperadora, que há uma crise política. Ela tinha que dizer: 'eu saio, eu renuncio, mas eu quero que o Congresso aprove isso, isso e isso'", sugeriu."A situação econômica [do país] é desesperadora. Ela [Dilma] não tem que ir lá nos Estados Unidos e dizer que o Brasil está mal porque a democracia é adolescente. Vai mal porque está sem rumo", disse Fernando Henrique, ao se referir à entrevista dada por Dilma à emissora norte-americana CNN e veiculada neste domingo (25).
Na entrevista, FHC foi questionado sobre o posicionamento do PSDB, partido do qual é presidente de honra, a respeito de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma.
Para o tucano, o partido está sendo "bastante prudente" quando trata do assunto e, caso um processo de impedimento seja aberto no Congresso Nacional, o PSDB "vai votar pelo impeachment".
Ele também criticou declarações recentes de Dilma de que a oposição tenta dar um "golpe" em seu governo ao defender sua saída pelo impeachment. "Ninguém está cogitando dar golpe. Impeachment não é golpe. Precisa ter condição, mas não é golpe", afirmou o ex-presidente.
FHC também falou sobre o episódio da suposta compra de votos para aprovação da reeleição, durante o primeiro mandato de seu governo. Apesar de dizer que não acredita que tenha havido compra de votos, o ex-presidente disse não duvidar que uma suposta compra de votos possa ter ocorrido.
"Se houve compra [de votos], não foi minha, não foi do PSDB. Se houve compra, foi coisa deles [dos parlamentares]. Não duvido [que possa ter havido]. Mas condenamos", afirmou.
'Pessoa honrada'
Durante a entrevista, Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar que a presidente Dilma é "uma pessoa honrada". Ele já havia dado declaração sobre o assunto em agosto. A fala de FHC foi sobre o suposto envolvimento de Dilma com o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

"Ela é pessoalmente honrada. Politicamente, ela também é responsável [pelos desvios na estatal", disse FHC. "Quanto ao Lula, eu tenho que esperar para ver. [...] Eu não posso dizer [que ele não tenha se beneficiado da corrupção]."

sábado, 10 de outubro de 2015

Situação Econômica do Brasil


Engenheiro avalia situação econômica do Brasil e afirma que crise não vai ‘derrubar’ o País

Profissional acredita que a crise é uma problemática passageira
A recessão econômica brasileira tem atingido em graus diferentes os mais variados segmentos no País. O setor da construção civil é um dos menos se sentem menos penalizados com a crise econômica, que já se arrasta por vários meses. Profissionais do setor de edificação, até admitem uma certa ‘baixa’ no segmento, mas ao mesmo tempo acreditam que é uma problemática passageira. 
Um desses otimistas é o engenheiro civil e angolano, João Carlos, que há cerca de quatro décadas decidiu não só vir para o Brasil, não só para morar mas também para construir. “O Brasil é muito grande, tem muitas possibilidades, e não é uma crise como essa que vai derrubar o País”, avaliou João Carlos, empresário da JCP Construções e Incorporações, responsável pela construção do Solar Tambaú, empreendimento grandioso, arrojado e completamente novo na cidade no que se refere à tecnologia e requinte.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Atividade industrial de SP deverá cair até 6% em 2015

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista deverá encerrar 2015 em queda de 5,8%, na leitura com ajuste sazonal. Apenas na passagem de julho para agosto a retração foi de 2,5%, de acordo com o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Em 2014, o indicador amargou perdas de 5,9%; se as estimativas se confirmarem, esta será a primeira vez em que o INA terá dois anos consecutivos de baixa desde o início de sua série histórica, em 2002.
Na avaliação do diretor do Depecon, Paulo Francini, o arrefecimento da atividade industrial nos últimos dois anos reflete a crise econômica e de renda por que passa o país neste período. "Esse é o dado dessa crise que está à vista: a sociedade está empobrecendo velozmente. [O ano de] 2015 já está perdido e vai ser o pior da indústria de toda a série que nós fazemos. É um desastre em termos de dimensão da queda e da perda de emprego", afirma. 
No mesmo período de comparação, entre julho e agosto, a indústria paulista registrou um saldo negativo de 26 mil empregos. Na previsão do Depecon, até o final deste ano pelo menos 200 mil vagas serão fechadas. Para o ano que vem, entretanto, Francini afirma que ainda não é possível prever o comportamento do setor, em função da "forte desaceleração da indústria".
Em 12 meses, atividade industrial já caiu 4,7%
Ainda de acordo com o Depecon, no acumulado de 12 meses o desempenho da indústria de São Paulo caiu 4,7%, na comparação com o período anterior. Já de janeiro a agosto, queda é de 4,6%. E se comparado a agosto de 2014, o indicador deste ano apresenta queda de 9,5%.
Francini reitera que os próximos resultados deverão ser ainda piores e alerta para um "comportamento negativo disseminado entre os segmentos da indústria". Isso porque, dos 20 setores avaliados pela pesquisa, apenas três tiveram aumento de sua atividade em agosto. "É preocupante porque, na verdade, a crise vai se espraiando. E quando é crise mesmo, é espalhado", completa.
A queda mais expressiva esteve na indústria de móveis, que em agosto teve variação negativa de 14,9% na comparação com julho. A variável que mais contribuiu para essa contração foi o "Total de Vendas Reais", que despencou 26,6%. O setor de veículos automotores também registrou forte queda, com retração de 3,6%.
Percepção sobre a economia também cai em setembro
A percepção do setor produtivo em relação à economia de modo geral piorou 4,6 pontos em setembro, na comparação com agosto. O número caiu para 43,8 pontos, ante os 48,4 anteriores, na leitura com ajuste sazonal. Leituras em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Quando está abaixo desse número, o sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês.

Ministro: crise está sendo inflada por meios de comunicação

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, disse hoje (6) que a crise econômica enfrentada pelo Brasil "está sendo inflada por alguns meios de comunicação". Ao participar do lançamento do Plano Safra no estado do Rio de Janeiro, no plenário da Assembleia Legislativa, Patrus Ananias afirmou que alguns veículos de imprensa "passam a ideia de que o Brasil está acabando".
"O Brasil é muito maior do que essa crise que está sendo inflada por alguns meios de comunicação", afirmou o ministro, dizendo que há uma oposição ao país, e não ao governo.Na opinião de Patrus Ananias, o país passa por um momento de ajustes e acertos, que "é perfeitamente razoável" para o aperfeiçoamento de programas e obras sociais, depois de "anos de investimentos e extraordinárias conquistas".
"Transformar isso no fim da história do povo brasileiro, não podemos aceitar", disse o ministro. Ele acrescentou que é preciso reconhecer o que já foi conquistado, como a retirada do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, e ter confiança para que as pessoas consigam caminhar.
O ano de 2015 não deve apresentar crescimento econômico segundo previsões do governo e de órgãos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou hoje uma projeção de que a retração no país deve ficar em 3%, e não em  1,5%, como se previu anteriormente. O FMI destaca que hojve queda de confiança entre consumidores e empresários.
O Banco Central prevê queda de 2,7% neste ano na economia brasileira, e o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do quarto bimestre, divulgado em 22 de setembro pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, estima a retração em 2,44%.



Banco Mundial: “Recessão no Brasil não se justifica. País sairá logo da crise”

Augusto de la Torre, chileno, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, lamenta o protagonismo do Brasil e sua recessão durante o encontro do FMI, que acontece em Lima, no Peru, esta semana. Na opinião de De la Torre, a recessão brasileira “é um mistério”. “Os índices macroeconômicos não justificam uma recessão tão profunda”. Para o especialista chileno, o trabalho que tem sido feito pelo atual ministro da Fazenda brasileiro, Joaquim Levy, é admirável; a moeda “tem se sustentado bem”, aguentando o embate e se desvalorizando corretamente, mas a demanda interna “não consegue se relançar”. E a causa disso deve ser atribuída às “incertezas políticas”. Ou seja: na crise política que evidencia a fragilidade institucional de Dilma Rousseff, que se encontra de mãos atadas diante de um Congresso hostil.
Ainda a respeito do Brasil, De la Torre comentou as aparentes diferenças existentes entre alguns países latino-americanos, como a Colômbia, o Chile e o Peru, membros da Aliança do Pacífico, que atravessam a crise em melhores condições, e o Brasil e a Argentina, que afundam. Não há o risco de se abrir uma fenda no continente? “Os países, quando a economia vai bem, são parecidos uns com os outros; mas isso não acontece da mesma forma quando ela vai mal. Nesse caso, as diferenças estruturais vem à tona. Por isso, é possível que alguns países percam o compasso, especialmente aqueles que não realizaram as reformas necessárias”, explica.O economista-chefe, porém, se diz convencido de que o Brasil sairá de sua crise econômica dentro de alguns meses. Por quê? “Porque a economia está encontrando caminhos para se ajustar. Se houver uma resposta política positiva, ela se reajustará bem; caso contrário, não; mas, de toda forma, acabará por se reajustar. E, uma vez digerida a atual crise, o que se mantém é a capacidade de reação das economias nacionais. Quando olhamos para o Brasil, que é uma economia gigantesca, sabemos que possui uma grande capacidade de reação”.
E acrescenta: “Há ditaduras que fazem reformas sem ouvir muito as pessoas. Nas democracias pulsantes, como as latino-americanas, isso é impossível. Assim, as democracias latino-americanas precisam encontrar o equilíbrio entre produtividade e desigualdade. O que não é nada fácil”.

Salário mínimo flexível

De la Torre destaca, ainda, o papel que a política de valorização do salário mínimo, implementada no Governo Lula, teve enquanto alavanca econômica. Mas, defende que se trata de um instrumento importante apenas para os tempos de vacas gordas. “Nos tempos de vacas magras, o salário mínimo não é inimigo daquele que está empregado, é claro, que está satisfeito, tem voz ativa e está organizado. Quem não é ouvido, porém, é o desempregado, que não está organizado. Cria-se, assim, uma espécie de desigualdade, pois aquele que se encontra na pior situação, o desempregado, não tem voz ativa”.
O economista tem algumas propostas para tornar o salário mínimo mais flexível: que seja diferente para cada empresa, já que as pequenas empresas têm mais dificuldade para contratar do que as grandes; ou, que ele seja diferente conforme a idade dos trabalhadores, de forma que os jovens recebam menos, ou que esses jovens trabalhem mais horas pela mesma remuneração. E conclui: “O salário mínimo que nos convém em tempos de vacas gordas não é o mesmo que nos convém em tempos de crise”.
Falar em diminuir o salário mínimo, porém, é um tabu social em qualquer lugar do mundo. La Torre, ao contrário, entende que o salário mínimo se torna um inimigo do emprego quando a economia patina e o desemprego cresce, como ocorre hoje em muitos países da América Latina. Ele defende que essa conquista dos trabalhadores (“da qual Marx já falava”, lembra) não deve ser vista apenas como um tema delicado, mas sim à luz dos ciclos econômicos. “É um tema delicado, relacionado a questões filosóficas e ideológicas.
No mundo moderno, o salário mínimo deve garantir condições de vida razoavelmente humanas. “Mas devemos evitar as paixões, para poder focar naquilo que realmente importa, que é a qualidade do emprego”, acrescenta. O economista explica, também, que o trabalhador qualificado, detentor de habilidades e de formação, não se preocupa com o salário mínimo, pois ganha bem acima disso. “Mas quem se preocupa, sim, é a empresa, que é obrigada a contratar tanto os mais qualificados quanto os não-qualificados. E, se o salário mínimo é muito elevado, ela simplesmente deixa de contratar”. Ele continua: “Nesse caso, pode acontecer algo inesperado. Pretendíamos proteger o trabalhador, para que ele tivesse uma vida decente, mas perdemos o controle por questões políticas e, em tempos de retração econômica, esse salário mínimo se torna um inimigo do emprego”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

'SITUAÇÃO DO PT É GRAVE. NEGAR É EQUÍVOCO'

Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva avalia que o PT passa por um momento delicado; "Não sou hipócrita. A situação do PT é grave. Negar isso seria um equívoco"; ele admite também que "foi um erro" seu partido peitar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa pela presidência da Câmara; apesar de dizer que o governo passa por uma crise "inegável", o ministro diz que o PT e a presidente Dilma estão absolutamente tranquilos em relação aos pedidos de impeachment; "O impeachment não é uma questão política, é jurídica. Para que tenha um impeachment, você tem de ter um fundamento jurídico. O governo não se preocupa com essa pauta"

Edinho comenta a relação com o PMDB, e diz que 'todo governo tem que ceder aos anseios de seus aliados, se não não governa', mas pondera que antes, qualquer reforma administrativa deve ser feita com o povo como prioridade. Ele admite que "foi um erro" o PT peitar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara, com o deputado Arlindo Chinaglia.
Apesar de dizer que o governo passa por uma crise "inegável", o ministro da Comunicação diz que o PT e a presidente Dilma estão absolutamente tranquilos em relação aos pedidos de impeachment que tramitam na Câmara.
"O impeachment não é uma questão política, é jurídica. Para que tenha um impeachment, você tem de ter um fundamento jurídico. O governo não se preocupa com essa pauta. A nossa preocupação é ter um desafio imenso pela frente, que é a retomada do crescimento econômico, da geração de empregos, da distribuição de renda, geração de oportunidades".
Tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, Edinho Silva falou também sobre a investigação aberta contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a doação de R$ 7,5 milhões supostamente desviados da Petrobras.
"O que tem contra mim é uma delação premiada de alguém que, portanto, negociou redução de pena. Eu li integralmente a delação do empresário (Ricardo Pessoa). Ele diz que eu o pressionei elegantemente e no parágrafo abaixo diz que nunca se sentiu pressionado. Na mesma delação. Respeito o pedido de abertura de inquérito do procurador. Ele deve ter visto na delação coisas que eu leigo, não vi. Prefiro, inclusive, que haja inquérito porque não quero dúvidas sobre o meu trabalho à frente da coordenação financeira da campanha da presidenta Dilma. Assumi a coordenação financeira já com o processo de investigação em andamento. Fui chamado para ocupar essa função em junho. Relutei. Todos sabem e humildemente digo, eu seria certamente um dos deputados mais votados do PT de São Paulo".
Edinho avalia ainda que a reforma administrativa feita pela presidente Dilma Rousseff chega num momento adequado e de forma acertada.