O dólar bateu a barreira histórica dos R$4 nesta
terça-feira (22) e, segundo analistas ouvidos pelo G1, a tendência é que permaneça em alta
diante do cenário de incerteza econômica sobre o ajuste das contas públicas do
país e com os investidores atentos ao programa cambial do Banco Central (BC).
O preço do dólar é influenciado pela lei
mais básica do mercado: a da oferta e da procura. Se há muito dólar circulando,
o preço cai.
Se há pouco, o preço sobe. Entenda as razões
da atual elevação do preço da moeda americana no Brasil e os efeitos na
economia:
RAZÕES DA ALTA
O dólar é a moeda do comércio
internacional. Quando estrangeiros fazem investimentos ou compram ações e
títulos no Brasil, eles trazem dólares ao país, que aqui pe trocado por reais.
Com um cenário de insegurança sobre o futuro da economia – como no caso do
Brasil, que tem adotado medidas para tentar equilibrar as contas públicas – os
investidores deixam de trazer seus dólares para o país, reduzindo a oferta da
moeda. Logo, o preço sobe.
ESTADOS
UNIDOS
No cenário internacional, está a perspectiva
de alta dos juros nos EUA. A economia americana é considerada de risco zero: ou
seja, quem investe lá não corre risco de perder – embora os ganhos sejam poucos
por conta dos juros quase em zero. Porém, caso haja aumento de juros, os
investidores passarão a ter possibilidade de ganho investindo na economia mais
segura do mundo. Assim, devido ao risco, países como o Brasil ficarão de fora
da rota dos dólares dos investidores, mesmo tendo juros altos. Além disso, ao
longo do ano passado, os EUA acabaram com seu programa de emissão de moeda,
diminuindo a oferta de dólares novos no mercado.
POLÍTICA
CAMBIAL
Um fator que gera certa tensão no
mercado é o programa cambial do Banco Central. Há alguns meses, o BC tem
realizado leilões diários de dólar por meio de contratos de swaps – nos quais
se compromete a vender dólar no futuro. Assim, ele tenta manter o volume da
moeda americana disponível e o preço estável.
AJUSTE
FISCAL
O mercado também acompanha com tensão
as negociações para a aprovação do ajuste fiscal. O governo apresentou um plano
para alcançar um superávit de 0,7% do PIB no próximo ano, mas as medidas
dependem de aprovação no Congresso. Sem ajuste fiscal, a capacidade do país de
atrair capital estrangeiro fica ainda mais difícil, já que aumenta o risco de "calote" para os
investidores.
EFEITOS NA ECONOMIA
PREÇO DOS IMPORTADOS
O efeito mais imediato da alta do dólar
para o consumidor é o aumento do preço de produtos importados ou fabricados com
insumos de outros países. No ano passado, a participação dos importados no consumo nacional foi
recorde – 22%, valor mais alto da série histórica, iniciada em
1996.
INFLAÇÃO
A alta no preço desses produtos entra
no cálculo da inflação, que aumenta e, por sua vez, impacta no reajuste da
maior parte dos preços no país. "O consumidor perde feio. [...] Para o
cidadão comum, a percepção é que se está ficando mais pobre", diz Fabio Kanczuk,
da FEA-USP.
EXPORTAÇÕES
Para os exportadores, quanto mais alto
o dólar, melhor, porque seus produtos ficam mais baratos lá fora e vendem mais.
Porém, no caso do Brasil, os números da balança comercial – que nos dois
primeiros meses do ano teve déficit de US$ 6 bilhões – mostram que não tem sido fácil vender produtos do Brasil no
exterior, mesmo com o câmbio favorável. Os entraves estão na baixa
produtividade dos trabalhadores brasileiros e na alta carga tributária, que
encarece os produtos.

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